A emigração na década de 60 até 90 era sinónima de sacrifício, muito sacrifício mesmo. Houve quem emigrasse para a Europa, nos anos 60 e 70, que chegavam ao seu destino de escolha através do chamado salto, que como a quase todos sabem, consistia em atravessar a fronteira de Portugal para Espanha à fugida das autoridades. Do lado de Portugal, era a fugir à Guarda Fiscal e à GNR e nalguns casos à PIDE e do lado de Espanha era evitar os Carabineiros.
Para a América, os emigrantes clandestinos sujeitavam-se a irem de barco, nos sujos porões, sem higiene e com falta de comida e de água. Já para o Canadá, havia o costume dos bacalhoeiros irem a Terra e já combinado com alguém, fugiam do navio.
Eram tempos difíceis para quem tinha o sonho de emigrar, e que por norma não tinham ninguém à espera deles, a não ser algum amigo ou algum contato pago a peso de ouro.
Havia a outra parte da emigração, esta mais confortável, que era a chamada emigração por carta de chamada, para a América e Canadá ou de contrato, neste caso para a Europa. Na maioria dos casos, iam de avião, gozando de todo o conforto e tendo a família à sua espera no aeroporto. Para estes, a emigração era um mar de rosas, resumia-se a uma mudança de hábitos, de país e de língua, mas com a chamada papinha toda feita. Não sendo de todo fácil, mesmo assim, no entanto, nada que se compare com aqueles que como famílias, apenas encontravam um banco frio de jardim e umas vielas sujas, escuras e frias onde pernoitavam, sem trabalho e por vezes sem dinheiro. Esta realidade ainda hoje acontece nos nossos dias. Apesar de irem de avião, no entanto sujeitam-se a grandes sacrifícios humanos.
Foi o caso de Domingos Silva, um Murtoseiro da Freguesia do Monte, que com 23 anos emigrou para o Reino Unido. O Domingos é órfão de pai desde os 4 anos de idade. Era seu pai o saudoso Manuel dos Santos Silva, o qual foi durante muitos anos cobrador dos autocarros da Auto-viação da Murtosa, e a sua mãe é a Zulmira Fernandes da Costa Mendes Silva, esta funcionária da Comur, casada em segundas núpcias com o Manuel Porretas. Para quem não conheça esta família, basta dizer que o Domingos Silva é neto do já falecido Domingos Malta, conhecido por ser encarregado da Câmara da Murtosa e de Maria Ruela, que vive juntamente com a mãe do Domingos. Este jovem tem ainda um irmão que é mais velho do que ele e que reside na Murtosa.
O Domingos Silva, ao não ver futuro nenhum aqui em Portugal, resolveu dar o salto para o Reino Unido e se o pensou, mais depressa o fez. Em Inglaterra contava apenas com o contato de um amigo de Ovar, que em conversa lhe disse que naquele país se vivia bem. Determinado, e com um saco de roupa às costas, com os euros contados, embarcou no aeroporto Sá Carneiro no dia 30 de Agosto de 2005.
No outro dia a seguir à sua chegada, começou logo a procurar trabalho pelas agências. Logo aqui encontrou boa receção, mas tinha dois problemas que o prejudicavam, que era a língua, que não falava nem percebia e não ter papéis legais, para poder, por exemplo, abrir uma conta bancária por onde pudesse receber o seu ordenado.
No entanto, e devido à persistência do Domingos, que passava todos os dias pelas agências a ver se lhe arranjavam algum trabalho, e já sem dinheiro para se poder sustentar, numa dessas idas à agência, lá recebeu a notícia porque tanto esperava. Tinham-lhe arranjado trabalho. Com fome mas esperançado que a vida iria mudar de agora em diante, lá regressou a casa e prontificou-se para ir trabalhar no dia seguinte. Este Murtoseiro, começou a partir deste dia a sair de casa às 4h da madrugada, para ir pegar ao serviço às 6 da manhã, até às14 horas, indo logo a correr para outro emprego, onde trabalhava até à meia-noite. Começou a fazer este horário, dia após dia, descansando apenas ao final de semana, o qual o Domingos aproveitava para estudar Inglês. Entretanto, conheceu uma jovem de nacionalidade Lituana, e vendo a vida a encarreirar-se, resolveu ir viver com ela. Desta união, nasceu o seu 1º filho.
Com a responsabilidade acrescida, com mulher e filho para sustentar, não cruzou os braços, e logo fez por enveredar apenas por um trabalho. Fez um curso que o promoveu a um nível superior, o que fez que com que fosse promovido a encarregado, ficando com a responsabilidade de 45 pessoas a seu encargo, trabalhando 12 horas por dia, sempre sob uma temperatura negativa de -5 a -12 graus.
Em 2008, separou-se da sua companheira, assumindo a educação do seu filho, mudou de trabalho e conheceu a sua atual companheira. Tentando progredir nos seus estudos, tirou mais um curso na especialidade de manuseamento de produtos químicos. Como completou este curso com a nota máxima, foi convidado para chefiar uma equipa de 25 funcionários. Continuou até 2010 neste emprego. Nos finais de 2010, surgiu-lhe a grande oportunidade, pela qual todo o mundo espera que surja um dia. Essa oportunidade surgiu-lhe na proposta de ser o supervisor de uma equipa de 60 pessoas. Já com a vida sentimental estabilizada aceitou este trabalho.
Entretanto, a partir do Reino Unido, ganhou amizade com uma Web Rádio de raízes Portuguesas instalada em França, e até fazer parte da equipa desta rádio, foi apenas um passo muito curto. Começou por ser moderador da sala de chat, e o proprietário desta rádio apercebendo-se da eficiência do Domingos Silva, e sem pensar muito, ofereceu-lhe sociedade.
Esta rádio, que dá pelo nome de Rádio Romena, começou a operar no dia 1 de Janeiro de 2012, com o nº de licença nº 120 104. O que começou por ser um projeto familiar, é agora uma empresa em plena expansão, da qual um dos proprietários é um Murtoseiro Domingos Silva e que cujo endereço se encontra no Youtube, pode procurar por Rádio Romena ou clicar na hiperligação que vai aqui abaixo mencionada.
Clique para visitar a Rádio Romena:
E é assim, desta maneira, desta fibra, que são feitos os Murtoseiros e a maioria dos Portugueses. Apesar dos dissabores por que este jovem passou, nunca cruzou os braços. Emigrou, convenceu e ficou. Hoje, com 31 anos, tem a vida bem organizada, juntamente com a sua esposa e com os seus dois filhos que são a sua maior riqueza.
Deixo aqui, um convite em nome do Domingos, para que se associem a esta rádio, através do Youtube, pois o convívio que se vive nesta emissora é saudável, harmonioso e cativante.
Eu pessoalmente e em nome da nossa amizade, desejo-lhe as maiores felicidades, para que possa concretizar todos os projetos. Que Deus o ajude a levar através da Rádio Romena, o nome da Murtosa também para terras de sua Majestade e para o resto do mundo. Bem hajam os homens como o Domingos Silva.
E vocês Murtoseiros, o que é que pensam sobre isto?


A coragem destes emigrantes, que vão de cabeça quente à aventura só é comparável, aos primeiros emigrantes que se afoitavam a emigrar devido ao desespero de não conseguirem sustentar as suas famílias aqui em Portugal. Sendo assim assugeitavam-se aos maiores sacrifícios já imagináveis para conseguirem levar por diante os seus intentos. Estes homens, como o Domingos Silva e o Sr. Júlio e outros mais, normalmente conseguiam ultrapassar esses mesmos sacrifícios, por essa razão singravam na vida, acabando por dar nas vistas devido a feitos por eles organizados que ficam na recordação de muita boa gente. Bem haja os homens feitos desta matéria…
Boa tarde , amigo Julio da Silva , achei muito bonito a maneira como contou esta historia de vida do nosso amigo Domingos, pois foi através de um tio que tenho também a viver em Inglaterra pois também teve o sonho de uma vida melhor para ele e para a sua família , (também ele faz um programa de rádio para os portugueses ,)que eu conheci o nosso amigo Domingos , pois ele é amigo desse meu tio e ouvinte do programa dele , ao tornar-me amiga dele através do facebook convidei-o a vir ouvir a Rádio Romena , pois sou ouvinte desde o primeiro dia de emissão e também sou moderadora de lá, ele lá veio ouvir gostou voltou e lá ficou entre nós e hoje é o nosso DJ. Mistura Desde já deixo o convite a todos para que passem na Radio Romena , decerto que irão gostar , deixo aqui os parabéns pela atitude de vencer na vida que o nosso amigo Domingos Silva demonstrou, beijinhos para ambos e mais uma vez parabéns pelo artigo pois está magnifico.
Obrigado Patrícia Mateus, mas para mim foi-me inteiramente fácil escrever a história do Domingos. Sendo eu um ex. Emigrante, a minha história embora com contornos diferentes, parece-se com a do Domingos. Dai que eu dou valor a todo aquele emigrante, que emigrou por sua a vedoria, sem carta de chamada, sem contrato ou com família á espera, foi assim que o Domingos emigrou foi assim que eu emigrei e foi assim que mais umas dezenas emigraram, dos milhares de Murtoseiros que saíram da Murtosa e estão espalhados por esse mundo fora, na maioria sem passarem pela experiência de não terem alguém á espera deles. Por esta razão, não sabem dar o valor verdadeiro do que é ser emigrante e passar sacrifícios, a não ser o sacrifício de terem deixado a sua terra Natal e alguns familiares. Por estas circunstâncias é que eu dou valor e ressalvo sempre que posso o nome de homens como o Domingos.
Totalmente diferente do irmão, o Vitor Moucho. Quem diria há uns tempos, o Domingos quando armava confusão no Central e nos bares de praia
Arménio, eu não conheci o Domingos nesses tempos já distantes, mas quem é que não teve problemas na sua juventude, principalmente na Murtosa? O Domingos segundo o que disseste teve, eu pelo meu lado também os tive, pois também não era flor que se cheira-se.
O que é certo é que a idade trás a maturidade. E a responsabilidade cai sobre os ombros de cada um. Sendo emigrantes, a responsabilidade é a dobrar, primeiro porque têm que chegar ao final do mês, e tem que pagar as despesas, e nesses países não existe fiado nem tão pouco meses de atraso. Depois, não temos família para pedir ajuda, esta é uma parte da responsabilidade. A outra é a de não querer regressar a Portugal sem primeiro conseguir concretizar os seus sonhos, as suas ambições que normalmente passa por fazer a sua casita. Tudo isto modifica uma pessoa, raras são aqueles que emigram e vêm igual ou pior do que quando estavam em Portugal antes de emigrar.
Estava a ver que ninguém chegava a esse ponto. Este senhor pode ter dado uma volta na vida, mas não é nenhum herói e muito menos santo. Continua a ser arruaceiro, mesmo em Inglaterra quem o conhece sabe disso e isso nota-se mesmo na net, por onde ele passa, com alguns comentários bastante ofensivos, sem um pingo de educação. Subiu na vida? Que bom para ele! Mas agora que deve ter melhores condições económicas, que tal um curso de boas maneiras e de como viver em sociedade? E quanto ao jornalista Júlio da Silva, não percebi a importância desta reportagem. Merece assim tanto reconhecimento este Senhor? Se fez pela vida, é a obrigação de qualquer ser humano. As coisas vistas desta forma, então temos milhões de heróis espalhados pelo mundo. Deve haver muita falta de assunto na Murtosa, para um texto destes ser artigo de jornal…
Não António Silva, não existe falta de assunto para se escrever noticias na Murtosa, pelo contrário até existe muito por onde escrever. Tudo depende do momento e do assunto, e se eu escrevi a cerca do Domingos é porque eu entendi que seria um bom exemplo para muitos Murtoseiros, que estão a sobreviver à custa do RMJ, e da pesca artesanal clandestina da nossa Ria.
Se o António Silva, a acha o meu um mau artigo, outros há que o apreciam, e nós como todo o mundo (eu especialmente) não posso agradar a Romanos e a Troianos.
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sejam bem vindos a nossa radio .
para todos voces que lerem a historia da inha vida agradecia que fazecem uma vizita a radio romena que temmuita musica portuguesa o link esta acima vizite-nos e fassa-nos companhia, eu fasso emissao das 12h as 14h de segunda a sexta horario de portugal. fico contente em vos receber tanto eu como toda a gerencia da radio muito obrigado ….
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Não haja duvidas que isto aqui em Inglaterra é outro mundo que não é a Murtosa ou Portugal, é uma realidade totalmente diferente.
Aprecio, a coragem do Domingos Silva em se ter aventurado sozinho, num país completamente estranho para ele nessa altura, para mais sem saber falar o Inglês. Conseguiu desenrascar-se e isso é que é o mais importante, e sozinho não ficou como muitos, encostados (colados) como sambes sugas aos emigrantes que vão de férias a Portugal no mês de Agosto, a pedir-lhes que lhes deem uma mãozinha.
Mas o Julio devia era partilhar mais histórias do Luxemburgo, não tenha receio!
Este jovem, apesar da sua pouca idade soube ver que aqui não teria futuro, e pôs pés a caminho sem olhar para trás. Passou sacrifícios sim, mas hoje tem a sua vida estabilizada, por sua conta e sem dever favores a ninguém. Como diz o Sr. Júlio e muito bem Hajam os homens da fibra do Domingos Silva.
bonito, e aqui esta mais uma realidade, de um murtoseiro