Ovar

Ria de Aveiro

É uma laguna costeira de baixa profundidade, entendida como um espaço singular no contexto de Portugal e da Europa, atendendo às qualidades ambientais e paisagísticas de elevado valor científico, sendo considerada uma Zona de Proteção Especial (ZPE) para as Aves com condições à prática de birdwatching e outras atividades e desportos como o remo, a vela, a canoagem, o stand up paddle ou um simples passeio de barco.

A laguna estende-se por 45 km ao longo da costa Ocidental de Portugal desde Ovar até Mira e por 10 km de largura com uma área total coberta durante a preia-mar de 82 km2 em maré viva e de 66 km2 em maré morta e pode ser dividida em três zonas principais: a zona sul inclui os canais de Ílhavo e Mira, respetivamente com 7 a 14 km de comprimento e 200 e 300 metros de largura máxima e o canal de S. Jacinto – Ovar, na zona norte, com 25 km de comprimento.

Na frente lagunar de Ovar a Azurreira e Cais do Carregal apresentam a particularidade de se relacionarem com uma mesma ocorrência natural, a Ria de Aveiro – Canal de Ovar, inserindo-se numa mesma unidade de paisagem, com caraterísticas muito particulares à escala do território nacional. Existe ainda a singularidade destas estarem situadas na mesma margem do canal de Ovar e de estarem associadas a uma mesma estrutura de circulação automóvel, a Rua Daniel Constant, que as interliga, promovendo a utilização desta frente lagunar como um todo. Nestes locais é possível a observação de embarcações típicas de pesca da Ria de Aveiro.

O Cais da Pedra com cerca de 5 070 m2 localiza-se junto à EN 327 e da Marina do Carregal. Nos primórdios do cais, este era utilizado fundamentalmente para o transporte de materiais, essencialmente o da “pedra”, no entanto, ao longo dos tempos essa particularidade foi-se extinguindo, pelo que o cais ficou a operar apenas para a pesca artesanal. Este apresenta uma plataforma do cais reabilitada, com reforço de cotas das zonas baixas ameaçadas pelas cheias e a estabilização de margens. O pontão fixo em madeira que entra pelo plano de água, permite ancoragem de embarcações assim como a prática da pesca desportiva. O Cais da Pedra dispõe também de uma rampa de acesso ao plano de água, para auxiliar na entrada e saída de embarcações.

O Cais da Tijosa é um ex-espaço portuário definido por três línguas, que recortam dois dentes de água com o intuito de acolherem barcos. Ao contrário dos outros cais que se observam na zona, não existem construções ao redor das entradas de água, apenas pequenos núcleos dispersos na envolvente.

O Cais da Ribeira constituiu uma plataforma logística na ligação entre o norte do distrito e a cidade de Aveiro onde se cruzaram muitas e variadas atividades económicas, como sejam a pesca e apanha do moliço, a produção de sal e a carpintaria naval. Com o tempo, o desenvolvimento de outros meios de transporte e o desaparecimento e desvalorização de determinadas atividades, alguns desses cais foram perdendo o seu papel na economia da região. Até meados do século XX, funcionou como o mais importante eixo de comunicação entre as populações ribeirinhas. As populações, aproveitando o vento, realizavam o transporte de mercadorias e as suas próprias deslocações através dos canais lagunares da Ria. A passagem pelo Cais da Ribeira da Rainha D. Maria II, em 1852, reitera a importância deste cais no transporte através dos braços da Ria. Alguns dos edifícios circundantes pertencem a empresas que ainda se dedicam à embalagem de sal e trazem à memória tempos em que o sal extraído nas salinas de Aveiro era transportado através da Ria, até à cidade de Ovar.

Na freguesia de Válega existe um esteiro da Ria de Aveiro, onde se situa o cais do Puchadouro. Este cais artificial tem cerca de 800 metros, que serviu para o embarque e desembarque de produtos e pessoas. O edifício que se encontra no topo do cais corresponde ao antigo armazém de caulino. Extraído em S. Vicente de Pereira (Ovar), o caulino era transportado por juntas de bois até ao Cais do Puchadouro. Aí era embarcado em mercantéis e transportado, pela Ria de Aveiro, até à Fábrica da Vista Alegre e utilizado como um dos constituintes base da porcelana. Outro edifício que se encontra na margem do Cais do Puchadouro, antigo armazém de sal, é a sede da CENARIO – Centro Náutico da Ria de Ovar, que integra a Rede Museológica de Ovar.

A área de influência do Cais do Torrão (Bico do Torrão) é local, sendo que a maioria dos utilizadores são da freguesia de Válega. O cais está inserido numa zona natural constituída por pastagens e áreas florestais, fora do aglomerado urbano, existindo somente uma habitação na proximidade (habitada apenas no Verão). Possui uma boa localização e boas acessibilidades fluviais, no entanto, existe uma grande dificuldade de acesso ao cais por terra, com acessos em terra batida pela floresta, existindo facilidade de alagamento. A atividade principal deste cais é a pesca desportiva, que se faz ao longo das margens

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